EUA ACUSAM O BRASIL DE VIOLAR DIREITOS HUMANOS

Do ponto de vista político, já existe respeito aos direitos humanos no Brasil. O povo tem liberdade de expressão, a imprensa é livre, pratica-se qualquer religião, viaja-se no país e para o exterior sem restrições, os militares estão nos quartéis e os líderes são eleitos pelo voto direto. Em compensação, nota-se no cotidiano uma série de irregularidades que tornam a vida amarga. Essa é a conclusão do governo dos EUA, após examinar o Brasil durante o ano passado. Os resultados foram revelados no Informe Mundial de Direitos Humanos, que o Departamento de Estado norte- americano divulgou ontem. Segundo o trabalho, há grande disparidade na distribuição de renda; 34% das crianças entre 10 e 14 anos trabalham para ajudar a família; há trabalho escravo em algumas áreas; o espancamento de mulheres é constante e os agressores jamais são punidos; os esquadrões da morte, muitos deles formados por policiais, matam sem o menor pudor; a tortura continua sendo rotina na polícia; e a discriminação racial é uma realidade, apesar de ser crime desde 1951. Para os norte-americanos, um dos principais problemas é o elevado número de execuções extra-judiciais e ameaças de morte contra líderes rurais e a matança de menores. O informe denuncia que 40 pessoas foram mortas em conflitos de terra no ano passado (12 eram líderes rurais). A Baixada Fluminense ganhou destaque nos crimes nas áreas urbanas: entre janeiro e maio de 1991, foram mortas 1.015 pessoas (30% eram crianças). O documento informa também que o sistema judiciário do Brasil é ineficiente: "Os linchamentos de suspeitos, executados por cidadãos irados contra o índice de criminalidade, é uma das evidências da falta do sistema judiciário" (O Globo).