Pesquisadores de vários países reunidos em Fortaleza (CE) para discussão do futuro ambiental nas regiões semi-áridas aprovaram ontem a Declaração de Fortaleza e a reivindicação de que o tema seja incluído na Rio-92. A grande dúvida dos quase 300 cientistas de cinco continentes que estiveram no seminário é se todo o esforço de produção de trabalhos e busca de soluções terá sido útil, pois o governo brasileiro não tem revelado interesse em discutir o tema na Rio-92. A Declaração de Fortaleza assinalou que a história e a ciência confirmam que as regiões semi-áridas têm recursos naturais suficientes para o desenvolvimento de sua população, desde que haja sistemas de produção adequados e formas mais justas de organização social. Os cientistas afirmam que, embora todas as regiões semi-áridas corram risco de deterioração, a principal preocupação é com os povos que as habitam, quase sempre em situação de pobreza absoluta, fome aguda e incertezas sobre o futuro. "É necessária uma estratégia que inclua compromisso político com reformas estruturais, reforma agrária, acesso a água e políticas agrícolas adequadas", afirma o documento (O Globo) (JB).