GOVERNO ADMITE ATRITO DIPLOMÁTICO COM A VENEZUELA

Por recomendação do presidente Fernando Collor, o ministro das Relações Exteriores, Francisco Rezek, mudou o tom do Itamaraty com relação ao episódio da queda de um avião Cessna com garimpeiros brasileiros em território da Venezuela. Após uma conversa com o presidente, Rezek declarou que a reação dos militares venezuelanos, ao metralhar o avião, foi desproporcional e desnecessária, admitiu que houve um desgaste nas relações entre os dois países e pediu à chancelaria de Caracas que apresse a exumação e traslado dos corpos do piloto José Xavier de Mendonça e do garimpeiro Moisés Ferreira. Segundo Rezek, o episódio provocou "mal-estar e uma perda de qualidade na relação política" entre os dois países. O governo brasileiro vai reforçar a vigilância na fronteira, para controlar os garimpeiros e prevenir novos conflitos. Setenta garimpeiros foram presos ontem na cidade venezuelana de Santa Helena, que pertence ao departamento de La Guayana, e faz divisa com o lugarejo chamado de Pacaraima, em Roraima. Segundo as informações, as autoridades locais estariam exigindo fiança de 20 mil bolívares por cada garimpeiro detido-- cerca de Cr$400 mil. O governo brasileiro não só sabia como também colaborou com as operações contra o garimpo ilegal na fronteira. É o que diz um boletim do Ministério das Relações Exteriores da Venezuela. O governo venezuelano adotou ontem o silêncio para tentar abafar as repercussões sobre os incidentes (O ESP) (FSP).