APROVADA CARTA PARA ACORDO DO BRASIL COM FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou ontem, por consenso, em Washington (EUA), a carta de intenções do Brasil, que lhe permitirá sacar em sete trimestres, até o final de agosto de 1993, um máximo de 1,5 bilhão em direitos especiais de saque (DES), que correspondem a cerca de US$2,1 bilhões. Uma parte dos desembolsos, equivalente a 25% do pacote, poderá ser separada para financiar operações de redução da dívida externa "no contexto de um eventual acordo entre o Brasil e seus credores comerciais". Os desembolsos são, porém, condicionados ao cumprimento das metas que o país se propõe em sua carta de intenções para o acordo. Uma delas é inflação mensal de 2% em dezembro. A carta prevê ainda crescimento zero do PIB neste ano-- estagnação econômica. Esta é a 11a. carta de intenções do Brasil nos últimos 10 anos. Nenhuma foi cumprida na íntegra. Numa breve descrição do programa econômico que o país se propõe a seguir nos próximos dois anos, o FMI divulgou uma nota na qual afirma que o objetivo é uma redução da inflação, fortalecimento da poupança e melhoria na eficiência para criar as condições de crescimento econômico no contexto de um balanço de pagamentos satisfatório. O programa se desdobra com uma política monetária apertada, um fortalecimento progressivo da política fiscal e "reformas estruturais ambiciosas, que incluem uma reforma fiscal em dois estágios e novas privatizações de empresas públicas". O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, disse que o acordo permitirá atrair para o Brasil novos recursos externos, na forma de investimentos diretos em empresas privadas e estatais. "Será um divisor de águas de um Brasil autárquico, que decretou várias moratórias e passou por inúmeras crises cambiais, para um país realmente moderno", disse (FSP) (GM) (O Globo).