A AIDS cresce entre a população feminina do Brasil. No ano passado, até setembro, foram registrados 517 novos casos da doença em mulheres e 3.084 em homens. Ou seja, em cada grupo de oito aidéticos, um era do sexo feminino. As autoridades atribuem isso ao fato de a contaminação pelo vírus HIV estar se espalhando através das relações sexuais para além dos grupos de risco-- homossexuais, viciados em drogas, hemofílicos. E exibem estatísticas assustadoras: em cinco anos, o número de mulheres aidéticas quase duplicou (+994%) enquanto que o de homens doentes com o vírus HIV não chegou a quadruplicar (+341%). Há oito anos, o Brasil notificou o primeiro caso de AIDS em mulher, mas a transmissão através do sexo começou a predominar há dois anos. Em 1991, dos 517 casos da doença em mulheres, 241 contraíram a AIDS através das relações sexuais. Dos 21.650 brasileiros com AIDS (casos notificados desde 1980), 2.476 são do sexo feminino e 19.174 do masculino. Em cada 10 mulheres aidéticas, oito moram nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje, apenas o Acre não registra nenhum caso de AIDS em mulher, notificado ao Ministério da Saúde (JB).