DUAS PROPOSTAS BRASILEIRAS PARA A RIO-92

As propostas que o governo brasileiro prepara para levar à mesa de negociação da Rio-92 projetam duas frentes de batalha para os próximos meses. Uma delas é o conflito sobre a criação de novos mecanismos de financiamento a projetos ambientais. A outra é a pretensão de não admitir que os países desenvolvidos vinculem a discussão sobre a proteção das florestas aos demais temas da Rio-92, como alterações climáticas e biodiversidade. O risco dessa vinculação seria obrigar-se a aceitar medidas excessivamente preservacionistas da Amazônia, que deixariam para segundo plano os problemas econômicos e sociais da região. Aliado a países latino-americanos e a um extenso grupo que inclui Índia, China, Malásia, Sudão, Paquistão e Tailândia, o Brasil pretende que sejam criados fundos especiais para o controle de gases do efeito estufa, no âmbito da convenção sobre alterações climáticas, e para a preservação das espécies, no âmbito da convenção sobre biodiversidade. Os países desenvolvidos, principalmente os EUA, têm resistido fortemente a essa proposta sob o argumento de que querem evitar a proliferação de muitos fundos e a superposição de esforços. Mas o Brasil e seus aliados sustentam a limitação dos fundos já existentes, a começar do General Environmental Facility (GEF), criada pelo Banco Mundial para financiar projetos ambientais, por serem totalmente controlados pelos países desenvolvidos, como sustentam (GM).