O presidente Fernando Collor aceitou ontem o pedido de demissão do ministro da Saúde e da Criança, Alceni Guerra, cuja administração se encontrava praticamente paralisada por denúncias de irregularidades em compras sem licitação. Em seu lugar assumiu, interinamente, o ministro da Educação, José Goldemberg. O presidente extinguiu ainda o Ministério Extraordinário para Assuntos de Integração, que era ocupado pelo ex- ministro da Educação, Carlos Chiarelli. Na sequência de uma ampla reforma, o presidente Collor também vai desmembrar o Ministério do Trabalho e Previdência Social. Parlamentares ligados ao Palácio do Planalto garantem que o ex-deputado gaúcho Nélson Marchezan, do PDS, já foi convidado para o Ministério do Trabalho. A reforma prevê ainda o retorno da Secretaria de Planejamento, com status de ministério, que seria ocupada pelo professor Antônio Kandir, ex-integrante da equipe da ex- ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello. Convidado a ocupar a Secretaria de Governo, cuja criação foi anunciada anteontem, o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), apresentou-se ontem em Brasília para dizer que aceita a indicação. Com a nova reforma ministerial, sobe para nove o número de trocas no primeiro escalão do governo. Dos ministros civis, apenas o das Relações Exteriores, Francisco Rezek, continua no cargo desde a posse. O ex-ministro Alceni Guerra anunciou que vai processar todas as pessoas que exacerbaram nas acusações contra ele. A saída de Alceni foi comemorada com fogos de artifícios pelos funcionários. Junto com ele saem o presidente do INAMPS, Ricardo Akel, e o diretor do Sistema Único de Saúde (SUS), Carlos Ferri. Ambos do Paraná e amigos de Alceni. Antes de sair, Alceni assinou o contrato de construção de uma fábrica de 100 CIACs em Vitória (ES), no valor de Cr$24 bilhões. A reforma ministerial feita pelo presidente Fernando Collor aproxima sua
44625 administração do governo Sarney. Collor repete as estratégias do ex-
44625 presidente que criticou na campanha eleitoral. O ministério que foi
44625 enxugado na posse de Collor volta a inchar. Cargos são criados ou
44625 ressuscitados para atender aliados, voltam a Arena do regime militar e
44625 ministros de Sarney, junto com o fisiologismo-- personificado no novo
44625 ministro da Ação Social, Ricardo Fiúza (PFL-PE). Tudo isso para garantir
44625 maioria no Congresso Nacional. Rejeitado como aliado no início do governo,
44625 o PFL retorna ao centro do poder, de onde nunca saiu desde os governos
44625 militares em que formava uma parte da Arena e, depois, PDS. Collor também
44625 tenta atrair de volta algumas legendas conservadoras que lhe fugiram, como
44625 PTB, PDS, PL e PDC (O ESP) (FSP) (GM) (O Globo).