O desgaste provocado pela sucessão de crises na área social do governo e a necessidade de contar com maior apoio no Congresso Nacional levaram ontem o presidente Fernando Collor a promover duas substituições em seu Ministério, a oitava desde que assumiu a Presidência da República. Da equipe ministerial que tomou posse com Collor, restam apenas três civis e os ministros militares. O governo, que começou com duas mulheres no ministério, hoje não tem nenhuma. Margarida Procópio, ministra da Ação Social, foi trocada pelo deputado federal Ricardo Fiúza (PE), líder do PFL e da bancada governista na Câmara. Antônio Rogério Magri, do Trabalho e Previdência Social, dá lugar ao deputado federal Reinhold Stephanes (PFL-PR), ex-presidente do antigo INPS no governo Geisel. Segundo Fiúza, a escolha de dois políticos significa que o presidente Collor "tem razões pessoais para achar que precisa consolidar uma posição política dentro do Congresso Nacional". Margarida Procópio, que teve sua gestão marcada por denúncias de enriquecimento ilícito e mau uso de verbas, esforçou-se por mostrar que não fora demitida. Chegou a distribuir uma carta em que pedia para deixar o cargo, mas não soube explicar a "coincidência" de sua saída no mesmo dia da demissão do ministro do Trabalho e Previdência Social. Celebrizado, enquanto participou do governo, por sua contribuição ao folclore político, Magri declarou, ao sair, que sua demissão era necessária "para deixar o presidente Collor tocar o país". A atuação parlamentar do deputado federal Ricardo Fiúza, 52 anos, odebeceu sempre a três linhas básicas: a defesa da livre iniciativa, dos subsídios ao Nordeste e dos governos que se sucederam ao longo dos seus seis mandatos. Ganhou o cargo pela condução firme de uma bancada tão numerosa quanto predisposta ao fisiologismo. O novo ministro Reinhold Stephanes, 52 anos, é um defensor da implantação de uma previdência complementar pública no país, para atender os segurados com renda superior a cinco salários-mínimos. Esta faixa da população teria a sua contribuição ampliada, para garantir uma aposentadoria mais elevada. Stephanes afirma que é contrário à tese de privatização da Previdência Social, mas defende uma reforma estrutural do setor (O ESP) (FSP) (JB).