A mais recente pesquisa domiciliar feita no Distrito Federal mostra as brutais diferenças entre o padrão de vida em Brasília e nas cidades- satélites. O grande poder aquisitivo dos moradores do Plano Piloto, e mesmo da vizinha Tabatinga, a única que conquistou autonomia econômica, permite que o Distrito Federal exiba atualmente uma renda per capita de US$4 mil, a maior da América Latina. Enquanto em Brasília, as pessoas que recebem até três salários-mínimos representam apenas 3% da população, em Planaltina e Samambaia, esse percentual alcança 38% e 49% dos moradores, e no Paranoá, 60%. Seis em cada dez moradores de Brasília têm renda acima de 20 salários-mínimos, mas no Paranoá simplesmente não existem pessoas com essa renda. Em Ceilândia, Planaltina e Samambaia, as cidades mais pobres, pouco mais de 1% dos moradores ganham mais de 20 salários. Pela pesquisa, mais de um quinto (cerca de 80 mil) dos domicílios particulares urbanos do Distrito Federal não passam de barracos de alvenaria e de madeira (JB).