O general Carlos Aníbal Pacheco, 63 anos, assumirá a partir de amanhã o Comando Militar da Amazônia (CMA). Ele substitui o general Antenor de Santa Cruz, que irá para a reserva. O presidente Fernando Collor coloca no CMA, cinco meses antes da Rio-92, um general que seguiu carreira na área diplomática e possui discurso diferente de seu antecessor em relação ao meio ambiente e questões indígenas. Pacheco disse que a Amazônia não corre o risco de internacionalização. A Amazônia está tão arraigada no sentimento brasileiro que não haveria
44381 risco de ser internacionalizada, porque o espírito nacional não
44381 permitiria. Segundo o general, os objetivos da Rio-92 ""não têm nenhuma injunção" em relação ao trabalho do Exército. Ele defende um "trabalho conjunto" com ecologistas e Exército em defesa da natureza. Para Pacheco, a demarcação de terras dos Yanomanis na área de fronteira foi uma decisão do governo e, por isso, deve ser cumprida. "Teremos que manter a segurança nacional a despeito da área ser indígena", afirmou. As posições do general são semelhantes às do secretário de Meio Ambiente, José Lutzenberger, que defende a participação do Exército na defesa do meio ambiente, e do presidente da FUNAI, Sidney Possuelo, que defende a retomada pelo Exército do trabalho indigenista (FSP).