POLÍTICOS CRITICAM PROPOSTA DE COLLOR

O "social-liberalismo" proposto pelo presidente Fernando Collor foi recebido por políticos com cautela e ironia. O primeiro dos oito artigos com a proposta do presidente da República para o consenso foi publicado ontem pela "Folha de S.Paulo". O governador do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), diz que, "flagrantemente isolado pelo seu próprio modelo de poder", Collor não dispõe de condições "de praticar nenhum parágrafo do seu discurso". Outro governador, Antônio Carlos Magalhães (PFL), da Bahia, afirmou que o governo não pode ditar regras para o país. Para o deputado federal
44288 Delfim Netto (PDS-SP), o artigo de Collor foi uma fantástica fila indiana de lugares comuns", enquanto um dos dirigentes do PT, Plínio de Arruda Sampaio, diz que o artigo do presidente "não pode ser levado a sério". No segundo artigo da série "Agenda para o consenso", o presidente Fernando Collor propõe a redefinição do papel do Estado, que, segundo ele, deve ser promotor de estratégicas de desenvolvimento e provedor de serviços essenciais, sem abdicar do papel de árbitro ou indicador da direção econômica. Conforme diz o presidente, a proposta social-liberal não implica restauração da política do "laissez-faire", já que muitos aspectos da economia moderna pressupõem requisitos de infra-estrutura material e só o Estado pode proporcioná-los. Collor conclui defendendo um Estado forte, a partir da conquista do respeito da sociedade por atender suas demandas sociais (FSP) (JB).