Segundo relatório divulgado pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), o trabalho escravo no campo, em 1991, triplicou em relação a 1990. No ano passado, foram localizadas 4.501 pessoas-- entre homens, mulheres e crianças trabalhando sem salários-- impedidas de sair de fazendas e submetidas a maus-tratos físicos. Em 1990, esse número foi de 1,5 mil pessoas. De acordo com a CPT, o aumento da ocorrência de trabalho escravo é provocado pela impunidade de fazendeiros e o "desmantelamento" da equipe do Ministério do Trabalho que fiscaliza relações trabalhistas no campo. Os estados de maior ocorrência de trabalho escravo são Mato Grosso (1.232), Rio Grande do Sul (400) e Pará (360). Em São Paulo, houve trabalho escravo de 80 pessoas em Paraibuna. Dados da CPT e do Comitê Rio Maria mostram que o Pará é o campeão de violência rural no país. Das 45 pessoas mortas em conflitos fundiários em 1991, 13 são do Pará. Em 1990, a CPT registrou 75 assassinatos (FSP).