BRASIL DESPERDIÇA VERBA DO BIRD PARA EDUCAÇÃO

Os empréstimos tomados pelo Brasil junto ao BIRD (Banco Mundial) para a área de educação básica nos últimos 20 anos se revelaram um péssimo negócio. O país pagou juros altos e investiu recursos próprios em projetos acertados com o BIRD, com resultados práticos muito abaixo dos esperados. Para receber um crédito de US$102 milhões, o Brasil pagou até agora juros de US$48 milhões, mais US$41,6 milhões de devolução do empréstimo e ainda deve US$60,4 milhões. A esse valor deve se somar US$217,3 milhões em recursos próprios do país aplicados em parceria com o BIRD, por exigência contratual. A soma dá um resultado esdrúxulo: para receber US$102 milhões, o país desembolsou três vezes mais, US$306,9 milhões, e ainda deve US$60,4 milhões. A má administração dos recursos emprestados pelo BIRD constitui uma irresponsabilidade cívica, segundo o ministro da Educação, José Goldemberg. Para ele, o fracasso dos projetos feitos com o BIRD tem como razão principal a ineficiência de gestão. Goldemberg está negociando um novo acordo com o BIRD, em torno de US$100 milhões por ano, durante quatro anos. A contrapartida da União tem valor equivalente. Nos próximos anos o país acrescerá sua dívida com o BIRD em US$100 milhões por ano, sem contar juros, e aplicará outros US$100 milhões anuais. "Os recursos serão aplicados corretamente desta vez", promete o ministro (FSP).