A primeira resposta ao pronunciamento do presidente Fernando Collor foi dada ontem, em São Paulo, durante a reunião do Fórum Capital/Trabalho, realizada no Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo). Empresários e trabalhadores não cogitam a participação do governo nos mecanismos de entendimento e nem querem ouvir falar em pacto. O governo não pode estragar o que começamos com boas expectativas, argumentou o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli. Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, os Poderes Legislativo e Executivo só vão interferir no processo de entendimento numa segunda fase, que consistirá no encaminhamento legal das propostas elaboradas pelas entidades. "Por enquanto, não cogitamos a participação do governo nessa discussão", disse Moreira Ferreira. A exemplo de Meneghelli, o presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores, Canindé Pegado, acha que "neste momento, o governo é o pior parceiro social que temos e não faz falta alguma". Os objetivos do Fórum Capital/Trabalho vão desde a busca de saídas para contornar a crise econômica do país, a curto prazo, até à elaboração de projetos com vistas à reestruturação nacional, já que a médio e longo prazos, os participantes pretendem uma atuação ativa da revisão constitucional prevista para 93 (JC).