O presidente Fernando Collor de Mello voltou a falar em entendimento nacional durante pronunciamento feito na abertura da última reunião ministerial do ano. Collor disse que é "preciso haver uma vontade coletiva mais abrangente" e o país "elaborar uma agenda de consenso". Ele citou os sete pontos que considera fundamentais para que seja cumprida a agenda. -- controle da inflação, com uma moeda estável, sem o que não retomaremos o crescimento, com prejuízo também para a imagem externa do país e para a própria auto-estima do povo brasileiro; -- o saneamento das finanças públicas, por meio de um ajuste fiscal vigoroso, sem o que nem o controle da inflação será obtido, nem haverá a recuperação do crédito público, necessária para ampliar os investimentos em infraestrutura e serviços públicos; -- os governos estaduais têm particular responsabilidade neste processo: é muito importante que o alívio resultante da rolagem de suas dívidas não se transforme, em função do calendário eleitoral, ou por qualquer outro motivo, em prejuízo para o esforço do reajuste; -- a reestruturação e o redimensionamento do Estado, com a desetatização, as reformas fiscal, administrativa e patrimonial, a renegociação da dívida externa e o fim às inibições legais ao ingresso do capital externo, sem o que o saneamento das finanças públicas não será realizado; -- a reorientação do Estado para suas tarefas típicas, como a educação, a saúde, o saneamento básico, a habitação popular, a preservação do meio ambiente e do patrimônio cultural, a justiça, a segurança pública e nacional, sem o que a harmonia social não será conquistada, comprometendo a qualidade do desenvolvimento econômico; -- a modernização da economia, com uma crescente produtividade gerada pelo aprimoramento da educação e da formação profissional do trabalhador brasileiro, pelo avanço tecnológico e pelo estímulo à competividade em mercado preservado dos abusos do poder econômico e do excesso de regulamentação; -- a qualidade do trabalho, a eficiência produtiva e o aprimoramento dos mercados devem estender-se a todos os setores, em particular à agricultura e à reforma agrária, sem o que a alimentação e outras necessidades básicas do nosso povo ficarão prejudicadas. Precisamos, também, dispor de excedentes para comercializar com outras nações (JC) (GM).