A CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) apresentou ontem um dossiê de 93 páginas sobre violência rural. Durante 45 dias, entre junho e julho deste ano, técnicos da CGT visitaram o Pará, Rondônia, Amazonas, Acre, Bahia e Pernambuco. As informações serão enviadas ao presidente Fernando Collor, aos governadores desses estados, à ONU, à Anistia Internacional e à OIT (Organização Internacional do Trabalho). Pelas contas da CGT, de janeiro de 1964 ao final do ano passado, 1.630 trabalhadores rurais foram assassinados em todo o pais. Desses crimes, apenas 24 foram a julgamento (1,47%) e 12 assassinos foram condenados. "Por esses dados, a Justiça brasileira parece funcionar apenas 1,47% do que, de fato, deveria", afirmou o presidente da CGT, Francisco Canindé Pegado. Segundo ele, a impunidade é apenas um dos dramáticos itens do dossiê. A CGT observou In loco" trabalhadores submetidos desde o trabalho escravo até a exploração de crianças nos canaviais de Pernambuco ou nos garimpos de Rondônia (JC).