As duas moratórias da dívida externa declaradas pelo Brasil para proteger suas reservas externas e manter a estabilidade interna tiveram um efeito oposto. Além disso, provocaram reações da comunidade financeira internacional que apenas agravaram os desequilíbrios da economia. A conclusão consta de análise do Banco Mundial (BIRD) sobre os custos e efeitos das duas suspensões de pagamento de juros aos bancos internacionais realizados pelo país entre fevereiro e novembro de 1987, e de julho de 1989 e dezembro de 1990. Ela consta do relatório Estatísticas da Dívida Mundial 1991-1992, divulgado ontem. A conclusão dos economistas do BIRD não contém nenhuma revelação extraordinária para os agentes econômicos, especialmente os exportadores e importadores, que sofreram mais diretamente o efeito do curto-circuito nas relações do país com seus credores externos. No momento em que a equipe econômica se empenha numa nova tentativa de normalização dos laços com a comunidade financeira internacional, a análise do banco oferece informações ilustrativas sobre o preço das duas confrontações que o país iniciou sem ter cacife para bancar. Os exportadores brasileiros perderam aproxidamente US$5 bilhões em empréstimos para financiar as vendas de seus produtos. Os juros do crédito remanescente saltaram da faixa de 2%-3% para a faixa de 3%-6%, os prazos encolheram de 180-360 dias para 30-45 dias e os bancos abandonaram o financiamento pré-exportação e buscaram operações de menor risco. Embora seja difícil avaliar com precisão o impacto da redução das linhas de financiamento sobre o volume das exportações, os economistas do BIRD afirmam que "muito provavelmente ele foi afetado". Traduzido, isso quer dizer que as empresas, obrigadas a gastar para exportar, encurtaram seus investimentos (O ESP).