A Previdência Social não terá como cumprir sua obrigação de pagar aposentadorias e pensões e garantir assistência médica à população em 1992. Com um déficit acumulado de Cr$1 trilhão este ano e arrasada por uma sucessão de desmandos, fraudes e desvio de recursos para outros setores da União, a Previdência revela sua face mais aguda na área da saúde. Dos Cr$4,4 trilhões previstos para gastos com a rede hospitalar no ano que vem, sobrarão apenas Cr$2,9 trilhões-- a diferença servirá para cobrir despesas de outros ministérios e do programa dos CIACs. Este ano, a Previdência gastou até com a demarcação de terras indígenas, como denuncia o deputado federal Sérgio Arouca (PCB-RJ). Na área do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) é um exemplo deste desperdício. Criado para descentralizar os recursos do INAMPS, o sistema abre caminho para fraudes ao permitir que muitos prefeitos administrem as verbas de acordo com sua conveniência política (JB).