O programa de privatização do governo foi discutido, ontem, pelo presidente Fernando Collor com o presidente do Instituto de Reconstrução Industrial (IRI) da Itália, Franco Nobil. Collor sugeriu a Nobili que participe dos leilões promovidos pelo governo, inclusive o da CST (Companhia Siderúrgica de Tubarão), que tem participação acionária do IRI. O Instituto é uma "holding" financeira de propriedade do Estado, mas tem autonomia e controla mais de 400 estatais. O faturamento global do IRI é de mais de US$44 bilhões anuais. Nobili disse ao presidente Collor que acompanha o processo de privatização no Brasil "com muito interesse", mas pediu que o governo considere a possibilidade de estudar o aumento da participação estrangeira na aquisição das empresas estatais, limitadas a 40% da composição acionária. Os chanceleres Francisco Rezek e Gianni de Michelis, da Itália, ratificaram, ontem, o acordo-quadro de cooperação econômica, industrial, científico-tecnológica, técnica e cultural entre os dois países. Assinado em outubro de 1989, e aprovado pelos dois parlamentos neste ano, o abrangente acordo dá nova sustentação à cooperação entre Brasil e Itália, com a possibilidade de o Brasil receber, nos próximos três anos, quase US$1 bilhão em recursos italianos. Estão garantidos US$220 milhões-- US$40 milhões em doações e o restante em bases concessionais, 20 anos para pagar, com cinco de carência e juros anuais de 1,75%. Os outros US$700 milhões, a serem concedidos com juros de mercado, dependem ainda de um acordo entre o Brasil e o Clube de Paris. Tal montante será destinado a estimular "joint ventures" entre pequenas e médias empresas italianas e brasileiras, e à compra, pelo Brasil, de equipamentos italianos para a renovação do parque industrial do país. Os US$40 milhões a fundo perdido serão alocados nos seguintes projetos: Centro de Tecnologia Metal-Mecânico Euvaldo Lodi, do Rio de Janeiro (US$2,8 milhões); promoção de saúde materno-infantil, em Pernambuco, de preferência a cargo de organizações não-governamentais (US$2,6 milhões); reestruturação do Hospital Umberto I, em São Paulo (US$5 milhões); urbanização de favelas em Minas Gerais (US$7,1 milhões); controle de poluição costeira no Espírito Santo (US$1,4 milhões); e apoio tecnológico à implantação da união certificadora da indústria eletro-eletrônica (US$800 mil). O primeiro-ministro italiano Giulio Andreotti garantiu ao presidente Collor que a Europa está aberta ao Brasil e que é fundamental aumentar a cooperação entre o Norte e o Sul. "A Comunidade Européia está apostando no Brasil e em outros países em desenvolvimento. O próximo semestre, com Portugal na presidência da CEE, poderá ser a ponte ideal para um intercâmbio maior", disse o primeiro-ministro (JC) (O Globo).