O déficit operacional do setor público, de 2,7% do PIB (Produto Interno Bruto), conforme acertado entre o governo brasileiro e o FMI (Fundo Monetário Internacional), será financiado basicamente com a emissão de moeda e títulos, no âmbito de uma política monetária que pretende ser dura, principalmente no primeiro trimestre do ano que vem. Ontem, o Ministério da Economia divulgou o memorando técnico de entendimento no qual estão listadas as metas que serão perseguidas pelo governo, no próximo ano. O memorando traz algumas premissas para a economia de 1992. A expectativa é de que as reservas cambiais, no conceito de caixa, cresçam US$2 bilhões sobre o saldo deste ano, a balança de comércio gere um superávit de US$12 bilhões com crescimento das exportações (8% reais) e importações (7%) e que a inflação ao final do ano tenha acumulado uma variação de cerca de 279%, num processo decrescente que começaria com 20% ao final do primeiro trimestre, para 12% ao final do segundo trimestre, e com quedas bastante acentuadas no segundo semestre, até encerrar o mês de dezembro com uma taxa mensal de 2%. No bojo do acordo com o FMI, continuar-se-ia pagando 30% dos juros da dívida externa contratada pelo setor público. O memorando não impõe, como nos acordos anteriores, limites ao endividamento do setor privado. O balanço de pagamentos, que deve fechar o ano de 1991 com um déficit de US$6 bilhões, reverterá esse desempenho em 1992, para um superávit de US$7,3 bilhões. Para 1993, a indicação é de um déficit de cerca de US$300 milhões no balanço de pagamentos (GM) (O Globo).