O Brasil deve retomar os pagamentos da dívida externa em 1992, remetendo US$8 bilhões para os credores, contra US$3,49 bilhões pagos neste ano. O compromisso consta do memorando técnico de entendimento que acompanha a carta entregue na semana passada ao FMI (Fundo Monetário Internacional). As demais promessas do memorando são as seguintes: reservas-- o governo se compromete a acumular reservas internacionais líquidas (moeda estrangeira disponível) no total de US$7,3 bilhões em 1992. Esses valores poderão ser alterados se houver acordo com os bancos privados, organismos internacionais e governos credores reunidos no Clube de Paris; crédito-- o governo manterá um controle rigoroso sobre o crédito e a moeda em circulação; setor público-- empresas e instituições financeiras estatais continuarão proibidas de aumentar seu nível de endividamento, ou seja, o Banco Central vai limitar a emissão de papéis e contratação de financiamento para impedir o aumento da dívida do setor público; déficit-- o governo promete fazer um esforço de contenção de despesas e de aumento de arrecadação para atender o objetivo de limitar o crescimento da dívida do setor público. Para isso, pretende atingir uma meta de déficit operacional (receita menos despesas) de Cr$30 trilhões em 1992 e um superávit primário (cálculo que exclui os juros) de Cr$32,5 trilhões (O Globo).