A Fundação Nacional de Saúde (FNS), do Ministério da Saúde, adquiriu da empresa paranaense Lojas do Pedro Ltda. 22.500 bicicletas Caloi para uso dos agentes comunitários de saúde ao preço unitário de Cr$147 mil (modelo feminino) e Cr$144 mil (modelo masculino), valores acima do mercado, conforme constatou auditoria realizada pela própria Fundação. Segundo a presidente da FNS, Isabel Stefano, a empresa embutiu nos preços os gastos com seguro e frete para distribuição da mercadoria a estados do Norte e do Nordeste, o que tornaria o "preço compatível". O custo total foi de Cr$3,3 bilhões. Segundo cálculos do próprio Ministério da Saúde, o governo perdeu com o contrato Cr$1,06 bilhão. Os mesmos modelos foram encontrados ontem no mercado de Brasília por Cr$119 mil. No dia da assinatura do contrato-- 28 de novembro-- elas custavam Cr$99 mil. É a terceira vez que a firma, com três lojas em Curitiba, pratica superfaturamento em vendas ao Ministério da Saúde, na gestão de Alceni Guerra. No ano passado, vendeu caixas térmicas para armazenar vacinas e este ano, em junho, 20 mil filtros sem velas. O TCU (Tribunal de Contas da União) revelou ontem que fará auditoria na Fundação para apurar Indícios de superfaturamento ou qualquer irregularidade" na compra das bicicletas. O ministro da Saúde, Alceni Guerra, não quis comentar a denúncia de superfaturamento e foi convocado pela Câmara dos Deputados para explicar a compra (O ESP) (O Globo) (JB).