Os programas de assistência social do governo Collor estão paralisados. A paralisia tem duas razões: as verbas sociais foram retidas pelo Ministério da Economia para o governo fazer sobra de caixa e boa parte dos recursos liberados foi desviada em compras suspeitas de serem irregulares ou distribuídas com favorecimento político. A situação mais grave é a dos programas de distribuição de alimentos. O governo suspendeu o programa de distribuição dos tíquetes do leite alegando que ele provocava corrupção. Os tíquetes foram substituídos pela distribuição de cestas básicas. Hoje, cerca de 11 milhões de pessoas não recebem as cestas prometidas, enquanto o governo "reestuda os critérios de distribuição". A LBA (Legião Brasileira de Assistência) não cumpriu a promessa de distribuir por mês cestas básicas para 3,4 milhões de crianças carentes e 1,2 milhão de mães. Os alimentos sequer foram comprados. A LBA também está atrasando em até seis meses o repasse de recursos para as creches conveniadas. No início do ano, estas creches atendiam 2,4 milhões de crianças e pretendiam chegar a 3,4 milhões ainda em 91. Com a falta de recuursos, o número baixou para menos de dois milhões. O orçamento da LBA era de Cr$333 bilhões, mas apenas Cr$258 bilhões foram liberados. O ano letivo de 92 pode começar sem merenda nas escolas da rede pública. Até agora o governo não liberou a verba de Cr$54 bilhões necessária para comprar os alimentos. A FAE (Fundação de Assistência ao Estudante), que administra a merenda, teve seu orçamento cortado. O INAN (Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição) também suspendeu a distribuição de alimentos por falta de verbas. O órgão deveria distribuir trimestralmente 36 mil toneladas de alimentos para 6,6 milhões de pessoas carentes, mas só teve dinheiro para comprar o suficiente para três meses de abastecimento (FSP).