OS DESMATAMENTOS NO PARÁ E NO MARANHÃO

O Pará perdeu neste século mais de 16 milhões de hectares (160.213 km2) de sua floresta tropical úmida. O processo de devastação das florestas paraenses pode ser dividido em três etapas, resultantes dos seguintes fatos: a colonização do nordeste do estado, a partir do início do século até 1960; a construção da rodovia Transamazônica na década de 70, durante o governo do general Médici; e o Programa Grande Carajás, com o surgimento de gigantescas fazendas de gado no sul do Pará, na década de 80. Com uma área total de 124 milhões de hectares, ou 24% da Amazônia Legal, o Pará sofreu grande impacto em consequência da migração indiscriminada, incentivada pelo próprio governo federal. De 1900 até os nos 60, dezenove municípios do Pará na Zona Bragantina, que se estende até o Maranhão pela região costeira, perderam toda a sua cobertura vegetal nativa-- mais de 1,6 milhão de hectares. Segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), os desmatamentos na Zona Bragantina atingiram 39.819 km2. O Maranhão é o estado mais devastado da Amazônia Legal em relação à sua área total. O estado já perdeu 35,9% de seu território com os desflorestamentos. Só os desmatamentos antigos na Zona Bragantina maranhense atingiram 57.824 km2. Desde o início do século, o território maranhense já perdeu 93.410 km2 de suas florestas nativas (JB).