O PT (Partido dos Trabalhadores) que emerge do seu 1o. Congresso, encerrado ontem em São Bernardo do Campo (SP), apresenta um perfil mais próximo da social-democracia, e tem o rosto de sua facção mais moderadaa, a Articulação. Os chamados "xiitas" levaram um tiro de misericórdia: não poderão cultivar relações internacionais autônomas, possuir sede própria, jornais ou vida financeira independente. Restou o direito à opinião, desde que não a manifestem publicamente. O 1o. Congresso rejeitou todas as teses da ala esquerda e adotou uma perspectiva moderada, marcada pelo respeito aos limites institucionais, e que aproxima o partido da centro-esquerda. Na principal votação, da conjuntura, o congresso rejeitou a linha "Fora Collor". Condenou a violência como método de luta e a perspectiva estratégica de ditadura do proletariado. Para a análise da economia, foi adotado o conceito do chamado "mercado com controle social"-- o Estado só deverá atuar em setores essenciais como saúde, educação ou transportes. Para capitalizar a insatisfação contra o governo do presidente Fernando Collor, o partido pretende voltar à carga em passeatas e manifestações públicas. As mulheres obtiveram mais espaço na direção do partido. Foi aprovada resolução segundo a qual 30% do contingente da direção do partido deverá ser feminino (O ESP) (FSP).