O governo pretende retomar as obras da usina nuclear Angra 2, paralisadas desde 1986, no próximo ano, quando o Brasil sediará a Rio-92. A coincidência da data não assusta o governo. Para o coordenador geral de Operações Termonuclear de FURNAS, Sérgio Guimarães, a opinião pública nacional e internacional não terão dificuldades em entender a necessidade de conclusão da usina. "Ou terminamos Angra 2 ou faltará energia elétrica na região Sudeste do país", diz ele. Para o ministro da Infra- estrutura, João Santana, a retomada das obras em 1992 é certa. As obras de Angra 2 foram iniciadas em 1976 com término previsto para 1982. Até agora, foram investidos na usina US$1,8 bilhão. É preciso investir mais US$1,5 bilhão para concluí-la. Em Cartagena (Colômbia), o ministro das Relações Exteriores, Francisco Rezek, afirmou que o Brasil não levará adiante o projeto de construção de Angra 3, e que os equipamentos adquiridos da Alemanha serão vendidos. O ministro não confirmou se há negociações com o Irã para a venda desses equipamentos. Disse apenas que a questão dos possíveis compradores é, em nível internacional, muito sensível, mesmo se tratando de equipamentos para utilização de energia nuclear com fins pacíficos (FSP) (JC).