O rendimento médio real dos brasileiros caiu 18,36% no primeiro ano do governo Collor e atingiu o menor valor real desde 86. As faixas de renda mais altas foram as mais afetadas pela recessão econômica, o que levou a uma queda na concentração de renda do país. Os mais ricos (1% da população) perderam 30,8% de seu rendimento em relação de 89. Os 10% mais ricos perderam, em média, 23% e só os 10% mais pobres tiveram um ligeiro aumento real de renda (4,78%). Os dados foram revelados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 90, divulgada ontem no Rio de Janeiro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A concentração de renda no ano passado foi menor do que em 88 e 89, mas superior à dos demais anos da década. A PNAD, que teve a primeira edição em 1967, é a única pesquisa que retrata a realidade do Brasil no final da década de 80. O censo do IBGE, que faz o levantamento a cada fim de década, está sendo realizado com atraso de um ano. A PNAD é feita com uma amostra de domicílios em todo o país, com exceção da área rural da região norte, que abriga 3% da população. Para a PNAD de 1990, o IBGE pesquisou 87.540 unidades habitacionais. Segundo a pesquisa do IBGE, os mais ricos (1% da população) tiveram sua fatia na renda reduzida de 17,3% em 89 para 14,6% no ano passado, o que ainda é maior do que os 13% que detinham em 1981. Mesmo com o emprobrecimento relativo dos mais ricos, o país continua a deter um dos piores índices de concentração de renda do mundo, segundo afirmou o presidente do IBGE, Eduardo Augusto Guimarães. Os 10% mais pobres aumentaram sua fatia na renda de 0,6% em 89 para 0,8% em 90. Em 81, detinham 0,9%. O poder de compra do salário-mínimo caiu 35,7% em 90 em relação a 89 e 38,3% em relação a 81. Segundo o IBGE, 24,2% dos trabalhadores ganham até um salário-mínimo por mês e só 3% tiveram rendimentos mensais superiores a 20 mínimos. A remuneração do trabalho da mulher é de 50,6% da recebida pelo homem. O nordeste detém os piores indicadores sócio-econômicos: 41.3% de seus trabalhadores recebem até um salário-mínimo, quando no sudeste a proporção é de apenas 18,2%. O nordeste e o centro-oeste têm a pior concentração de renda do país, mas o rendimento médio per capita do nordeste (Cr$8,446 em valores de setembro de 90) é de menos da metade do recebido no centro-oeste e do sudeste. Segundo o IBGE, pouco mais da metade (58,8%) dos empregados no país têm carteira de trabalho assinado. Os dados mostram que o setor agrícola mantém a tendência de redução de mão-de-obra. Em 81, 29,3% das pessoas ocupadas trabalhavam no campo. No ano passado, a proporção foi de 22,8% (GM) (JC) (O ESP) (FSP).