Os seis meninos espancados e fuzilados na Favela Nova Jerusalém, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, pressentiram que iam morrer: antes que o tiroteio começasse, eles se abraçaram e choraram. A revelação foi feita ontem por A.S.L., de 15 anos. Única sobrevivente da chacina, ela só escapou, com um tiro na cabeça, porque se fingiu de morta. Mas tem muito medo: "Eles (os criminosos) são verdadeiros demônios e vão querer me matar". A., de Salvador (BA), chegou ao Rio de Janeiro aos sete anos e viu o pai assassinar a mãe a facadas. No mesmo ano, foi estuprada na favela onde ocorreu a tragédia no último dia 14. Expulsa de casa, passou a viver com uma vizinha, que a obrigava a se prostituir em troca de comida. Mas, ante o pavor que sente dos exterminadores-- principalmente de "Marquinho", que parece o mais doido--, ela ainda alimenta um sonho: "Estudar para ser médica de criança" (JB) (O Globo).