Senadores e deputados que integram a CPI que investiga o "rombo" no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) tiveram ontem a confirmação de que o governo tem lançado mão de recursos do FGTS em liquidações extra- judiciais decretadas pelo Banco Central, como nos casos do Comind e do Sulbrasileiro. O autor da denúncia foi o inspetor Lucas Pirajá, funcionário da Caixa Econômica Federal em São Paulo, onde é responsável pelo setor de liquidações extra-judiciais com injeção de recursos do FGTS. Lucas Pirajá contou à CPI que estava recebendo pressões do diretor- financeiro da Caixa, Milton Luís de Melo Santos, para que não prestasse o depoimento e confessou estar com medo de represálias. Integrantes da CPI, liderados por seu presidente, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), vão hoje ao presidente da Caixa, Álvaro Mendonça, para esclarecer as denúncias de Pirajá. Com um depoimento público marcado para as 10h, atendendo a um requerimento do deputado do deputado Nilmário Miranda (PT-MG). O diretor-financeiro da Caixa Econômica Federal (CEF), Milton Santos, declarou ontem que orientou Lucas Pirajá a dar declarações aos integrantes da CPI do FGTS que não entrassem em conflito com aquelas já prestadas pelo presidente da instituição, Ávaro Mendonça, na mesma CPI (JB).