Uma "raspadinha ecológica" ou o uso da marca oficial da ONU para a Rio-92 pode ser a salvação para o maior evento paralelo, o encontro das ONGs (Organizações Não-Governamentais). Ameaçado de não se realizar por falta de verbas-- o governo brasileiro isentou-se da obrigação--, o Fórum Nacional das ONGs agora discute a proposta encaminhada pela Associação Comercial do Rio de Janeiro, que controlaria as "raspadinhas", caso o governo aprove a loteria "verde", que tem o apoio do Fórum Global das ONGs. A discussão é mais uma das questões entre os Fóruns Nacional e Global, parceiros na organização. O evento pretende reunir mais de duas mil entidades ambientalistas não- governamentais no Parque do Flamengo, em frente ao Hotel Glória. Serão necessários cerca de US$4 milhões, segundo cálculos do Fórum Global, que prevê a construção de auditórios no Aterro do Flamengo, além da facilidade para a acomodação de representantes das ONGs internacionais, especialmente os do Terceiro Mundo, que não dispõem de recursos sequer para chegar ao Rio de Janeiro. A avaliação do tipo de ajuda financeira às ONGs tornou-se a grande questão e figura na pauta da Conferência de Paris, que reunirá as ONGs do mundo inteiro, em dezembro, e do próximo Fórum Nacional, que tem encontro marcado em Recife (PE). Numa conjuntura de recessão, é um problema ético investir na ilusão
43357 para reverter o dinheiro na ajuda ao evento, disse Jean Pierre Leroy, da secretaria-executiva do Fórum Nacional, representante da FASE, entidade com sede no Rio. Segundo ele, essa forma de representação deve ser discutida em profundidade, para que não haja grande desentendimentos: "se os fundos arrecadados pela loteria, que virão da própria sociedade, reverterem para os países pobres, a questão será revertida", explicou. Liszt Vieira, representante do Fórum Nacional no Fórum Global, diz não ter objeções contra a "raspadinha" (JB).