CARTA DE INTENÇÕES PARA O FMI ESTÁ PRONTA

O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, recebeu, ontem, a minuta da última versão da carta de intenções que será encaminhada à aprovação do Fundo Monetário Internacional (FMI). A informação é do secretário de Política Econômica, Roberto Macedo, que retornou de Washington (EUA), onde participou da redação da carta com técnicos do Fundo. As negociações com o FMI ainda não foram concluídas, obrigando o secretário de Planejamento, Pedro Parente, a mais uma semana de discussões com técnicos da instituição, sobre os cálculos dos ajustes nas contas públicas. Roberto Macedo informou que a demora da análise técnica do Fundo surpreendeu a equipe econômica. Afirmou, no entanto, que as negociações em torno da assinatura de um acordo "stand by", pelo prazo de 20 meses, com a liberação de um crédito de US$2 bilhões (Cr$1,41 trilhão) "estão correndo normalmente". A sua expectativa é de que, até o final do ano, o governo assine a carta de intenções e o memorando técnico de entendimentos, documentos que traduzem o programa de ajuste das contas brasileiras. Roberto Macedo, que retornou dos EUA com os diretores do Banco Central Armínio Fraga (da Área Externa) e Pedro Bodin (de Política Monetária), disse que o secretário Pedro Valente permaneceu em Washington para detalhar com os técnicos do FMI os novos cálculos sobre os ganhos de arrecadação com a reforma tributária. A modificação no Imposto de Renda da pessoa física, com a introdução da alíquota de 15%, alterou a projeção do governo, obrigando a uma revisão das metas anteriormente negociadas com a missão do Fundo. A aprovação da reforma tributária pelo Congresso Nacional e a assinatura de um acordo com o FMI, segundo o secretário, serão importantes para o combate ao déficit público, bem como para o ingresso de recursos externos, com a normalização do relacionamento com a comunidade financeira internacional (JC).