A reindexação do mercado financeiro foi apresentada pela missão do governo brasileiro aos técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) como o caminho natural a ser adotado em um ambiente de inflação elevada. A intenção é viabilizar o uso de índice de preços, genericamente, para contratos celebrados no mercado financeiro com prazo inferior a um ano. Hoje, até o prazo de noventa dias, todas as operações devem ser prefixadas; entre noventa dias e um ano se admite a correção apenas pela Taxa Referencial (TR). O FMI, em princípio, tem uma posição contrária à indexação porque acha que gera uma inércia difícil de combater e pode atrapalhar o processo de ajuste. No entanto, conforme observou fonte do Fundo, com uma taxa de inflação na casa de 20% ao mês, a indexação é admitida pela instituição como "o mal menor para proteger os ativos financeiros, se não desmorona tudo", observou a fonte. Diante da apresentação preliminar dos técnicos brasileiros, o "staff" do FMI que negocia com o Brasil sinalizou que concorda com a linha geral da reindexação. Um enfoque novo está sendo colocado pelo governo no tratamento da questão: a diferenciação entre estoque, entendido como o patrimônio e os ativos que precisam ser protegidos contra a corrosão da inflação, e a idéia de pagamentos envolvendo fluxos como juros e salários que normalmente flutuam em consequência da atividade econômica. Neste último caso, a missão brasileira não está considerando a indexação, como uma necessidade premente (GM).