O presidente do Banco Central, Francisco Gros, disse ontem, que a permissão para que os agentes econônicos possam indexar, livremente, os contratos com prazos inferiores a um ano "é um assunto prioritário". Gros admitiu que a questão lhe tem chegado de vários setores da sociedade, embora ainda não a tenha discutido com o ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira. Para Gros, a indexação "seria um recuo tático", em função dos "saltos constantes" da inflação, e que poderia ter efeito de um "calmante ou analgésico" para o mercado financeiro. Gros reiterou que a questão somente pode ser decidida pelo Congresso, pela necessidade de alterar a Lei 8.177, do Plano Collor II, que acabou a indexação. Mas não descarta a hipótese de o governo propor um projeto de lei, embora a discussão do assunto ainda não tenha sido feita pela equipe econômica. "Trata-se de uma decisão que não é simples nem neutra extravasa para outras questões", disse Gross, lembrando suscitar a mesma reivindicação para os salários, por parte dos trabalhadores (JC).