OS ENTRAVES BRASILEIROS AO MERCOSUL

Para a reunião de amanhã, no Rio de Janeiro, entre os ministros de Economia e presidentes dos bancos centrais de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, o ministro Domingo Cavallo, da Argentina, já tem pronta uma agenda de assuntos "delicados", todos eles relacionados com a situação do brasileira e seus reflexos no normal funcionamento do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Apontará o minisro Cavallo a seu colega Marcílio Marques Moreira, do Brasil-- possivelmente com a concordância de Juan José Diaz Pérez, do Paraguai, e Enrique Braga, do Uruguai--, três aspectos da política interna brasileira com repercussões negativas nas economias de seus principais sócios comerciais da região: -- As tarifas brasileiras de energia elétrica, atrasadas em relação aos níveis internacionais, representam, na prática, um subsídio de bens e serviços brasileiros, diminuindo a competitividade de seus concorrentes no Mercosul. =-- O Governo concedeu UU$2 bilhões de Financiamento a juro zero à produção agrícola e continua, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a praticar créditos brandos-- abaixo dos juros de mercado-- com setores básicos industriais, que igualmente privilegiam o campo e a indústria brasileiros no âmbito do Mercosul. -- A Inquieta" flutuação cambial brasileira prejudica o livre fluxo de comércio, pois representa um estímulo artificial à penetração de produtos brasileiros nos mercados vizinhos e uma barreira, também artificial, às transações em sentido contrário. Antes do último salto do dólar em outubro, as políticas cambiais do Brasil e de seus vizinhos já eram consideradas "assimétricas", mas havia esperanças de que elas se encaminhassem para um ponto coincidente em futuro próximo, quando todo o Mercosul estaria adotando o câmbio único. Os observadores argentinos da situação brasileira consideravam o ágio entre o dólar comercial e o paralelo, então de apenas 10%, uma "brecha" ainda não prejudicial ao comércio quadrilateral. A preocupação acentuou-se depois que o paralelo superou o oficial em 25% e chegou a atingir mais de 60% (ontem, o ágio foi de 17,74%. Assessores da delegação argentina para a reunião de amanhã disseram que o ministro Cavallo não pretende interferir nas questões internas brasileiras nem pedir que o governo do presidente Fernando Collor de Mello adote imediatamente uma política cambial e de eliminação de subsídios idêntica à dos demais integrantes do Mercosul (GM).