Dois guardas penitenciários foram presos ontem como os autores da chacina no Presídio Ary Franco, em Água Santa, zona norte do Rio de Janeiro (capital), que resultou na morte de 24 detentos e ferimentos graves em nove outros, dos quais apenas um teria chances de sobreviver. Segundo depoimentos dos presos, o guarda Cosme Fernando de Alboim Guimarães jogou na cela A-15 um frasco de produto químico de alto poder de combustão, provavelmente fósforo branco. O artefato transformou a cela num forno de 1.500 graus. Outro guarda, Roberto Gama Siqueira, chefe da segurança, foi acusado de atirar nos presos antes mesmo de o incêndio começar. O secretário estadual de Polícia Civil, Nilo Batista, classificou o fato como "24 assassinatos". O presidente da seção fluminense da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Sérgio Zveiter, pediu ontem ao governo do estado a interdição temporária da galeria A do Presídio Ary Franco. O pedido foi feito com base em relatório da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Jurídica da entidade, que constatou as condições desumanas do presídio. O diretor-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Herbert de Souza, fez a seguinte avaliação do fato: "a exposição sistemática da sociedade a atos de terror social, como assassinatos de meninos de rua ou de presos comuns, acaba levando, à desvalorização da vida e à indiferença diante de acontecimentos trágicos". Para o sociólogo, não é "por acaso" que esses fatos vêm se tornando frequentes no Brasil. "É como se, em relação a certos seres humanos, a sociedade dissesse: pode matar", analisou (O Globo) (JB).