Quatro das empresas que venceram a licitação no valor de Cr$130 bilhões realizada este mês pelo Exército, que está sob investigação do TCU (Tribunal de Contas da União) por denúncia de superfaturamento, foram as mesmas que, no ano passado, forneceram a maior parte do mesmo material adquirido pela corporação. Os contratos foram assinados sem licitação, em caráter de urgência, com a Diretoria de Material de Intendência (DMI), no fim do ano passado, sob o argumento de que houve atraso do Congresso Nacional na liberação das verbas do Exército no Orçamento da União de 1990. As quatro empresas-- Alpargatas Nordeste, São Paulo Alpargatas, Lanifício Capricórnio e a Tatuapé (do Grupo Santista Têxtil)-- conquistaram 83% das verbas destinadas no ano passado à compra de uniformes. O TCU está investigando se houve formação de cartel por parte das empresas. A Procuradoria Geral de República encaminhou ontem ao Ministério do Exército pedido de informações sobre a licitação de fardas e roupa de cama e banho. O ministro Carlos Tinoco tem prazo de 15 dias para enviar à Procuradoria as explicações que julgar necessárias para esclarecer a denúncia de superfaturamento (O Globo).