A privatização da CELMA (Companhia Eletromecânica)-- especializada em reparos em motores de aviões--, marcada para o próximo dia 1o., não está tendo dos seus empregados o mesmo apoio que teve a da USIMINAS. O Sindicato dos Metalúrgicos de Petrópolis (RJ) quer sustar a operação na Justiça. Os 1.681 empregados da CELMA não mostraram muito interesse em comprar ações da empresa, também ao contrário do que ocorreu na USIMINAS. O BNDES colocou à disposição dos empregados 10% do capital da empresa, ao preço de Cr$24,03 por lote de mil ações. Só conseguiu vender 3%. No leilão, o mesmo lote vai custar Cr$177,55. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Valdir Lima, disse que o desinteresse pelas ações se dá porque os empregados estão mais interessados em receber US$15 milhões (cerca de Cr$9,3 bilhões) em ações trabalhistas que têm contra a empresa. As ações judiciais são reividicações de perdas salariais que teriam ocorrido nos planos Cruzado e Bresser e no choque verão. A CELMA teve no ano passado um prejuízo de US$3,28 milhões. A Procuradoria Geral da República entrou com ação na 6a. Vara Federal do Rio de Janeiro pedindo liminar para suspender o leilão da CELMA. A Procuradoria entrou também com uma ação civil pública questionando a venda de empresa. Além da questão das "moedas", a Procuradoria levanta mais cinco pontos que considerou questionáveis: o volume de recursos investido pela União na empresa, a avaliação da companhia, o monopólio da empresa, o próprio modelo de venda e até a venda aos empregados a preço mais baixo (FSP) (O Globo).