Empresas, estados e prefeituras sonegam. O Ministério do Trabalho e Previdência Social não fiscaliza, a CEF (Caixa Econômica Federal) ganha bilhões para operar contas que nem sabe se existem, o Ministério da Ação Social administra mal o dinheiro e permite o uso político dos recursos. Amparado por esse frágil tripé, o patrimônio do trabalhador depositado no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) vai desaparecendo. "O governo fez uma verdadeira confusão com um dinheiro que não é dele", acusa o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) criada no Congresso Nacional para apurar denúncias de desvios e distribuição desproporional das verbas. A CEF já deveria ter unificado as contas do FGTS, alimentado todo mês com depósitos correspondentes a 8% do salário de cada trabalhador e teoricamente destinado à construção de casas populares. Mas até hoje a CEF não conseguiu saber direito onde estão as contas do fundo, qual é o saldo e, pior, o valor da dívida acumulada por quem tomou dinheiro emprestado do FGTS e não pagou. Números do Ministério do Trabalho e Previdência Social indicam que cerca de Cr$1,4 trilhão deixaram de entrar nos cofres do FGTS em 1990. Cálculos extra-oficiais, porém, indicam que o fundo deixou de receber nos últimos anos mais de Cr$4,2 trilhões, quase o dobro de toda a arrecadação prevista para este ano, de Cr$2,4 trilhões (O ESP).