O Departamento da Polícia Federal pediu o indiciamento do ex-diretor de Abastecimento e Preços do Ministério da Economia, Ricardo Mesquita, como único responsável pelo vazamento da informação que resultou no chamado escândalo do café, em março passado. A conclusão do inquérito não leva em conta o relatório oficial da Commodities Futures Trading Commission (CFTC), de Nova Iorque (EUA), que apontou diversas pessoas físicas e jurídicas brasileiras especulando no mercado futuro do café, a partir de 19 de março. O delegado Francisco de Assis Alves da Silva, encarregado do inquérito no âmbito da PF, decidiu responsabilizar Mesquita não pelo vazamento de uma informação privilegiada, mas sim pela violação de sigilo profissional. No entendimento do delegado, o ex- diretor passou a informação sobre a suspensão dos registros de exportação de café à repórter Patrícia Saldanha, da "Agência Unicom". Isso, porém, ocorreu no dia 21 de março, apenas uma hora antes da divulgação oficial pelo Ministério da Economia da suspensão dos contratos. Dois dias antes, porém, diversos empresários e exportadores brasileiros haviam tido grandes lucros, porque a informação já era corrente, não só no Rio de Janeiro e São Paulo, mas também em Nova Iorque e até na Suíça. O inquérito passa agora às mãos da juíza Selene Almeida, da 4a. Vara da Justiça Federal do Distrito Federal (O ESP) (GM).