A USIMINAS foi vendida ontem às 16h31 em leilão por pregão eletrônico nacional centralizado na BVRJ (Bolsa de Valores do Rio de Janeiro), por Cr$709,6 bilhões, o equivalente a US$1,17 bilhão. Este valor é 14,26% superior ao preço mínimo pelo qual o governo se dispunha a vender o controle da empresa. Os dois maiores compradores individuais são a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que arrematou 195.777 lotes equivalentes a 14,94% do controle acionário, e a CVRD (Companhia Vale do Rio Doce), que ficou com 192.041 lotes, correspondentes a 14,62%-- a CVRD já detinha 0,29% das ações da USIMINAS. Mas o controle acionário deve ficar com um grupo de investidores (Banco Bozzano Simonsen, Nippon Usiminas, Associação dos Funcionários e quatro empresas distribuidora de aço-- Benafer, Fasal, Rio Negro e Confab). Os nomes dos demais sócios da USIMINAS deverão ser anunciados hoje. O capital estrangeiro teve pequena participação no leilão. Apenas cinco apresentaram lance. Eles se limitaram a adquirir 5,73% do total de ações ofertadas. Foram realizadas 11 rodadas de preços, cada uma com duração média de 10 minutos. O preço inicial foi de Cr$739,47 o lote de mil. Participaram do leilão 57 corretoras, das quais 37 do Rio de Janeiro e nove em São Paulo. O maior do volume de operações ficou com o Rio de Janeiro, que adquiriu 90% dos lotes. São Paulo arrematou 6,3% e Paraná 3,1%. Oitenta e um feridos, 13 detidos e mais de 60 bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar. Esse foi o resultado das manifestações contra o leilão de privatização ocorridas em frente a Bolsa de Valores. A Praça XV e arredores se transformaram num campo de batalha. Paus, pedras e latas eram revidadas com bombas de gás, cassetetes, chutes, socos e cães. De um lado estavam 600 PMs, que cercaram uma grande área em torno do prédio da Bolsa. De outro, três mil manifestantes, segundo os organizadores. O confronto começou quando várias pessoas tentaram derrubar as cercas de ferro colocadas em volta do prédio da Bolsa. A partir daí, policiais e manifestantes se alvejaram mutuamente. Além de representantes do PT, PC do B, PDT e PCB, havia na praça sindicalistas da CUT e CGT, estudantes da UNE, algumas bandeiras anarquistas e alguns nazistas do Partido Nacionalista Revolucionário Brasileiro. A CUT contou 10 sindicalistas hospitalizados sem gravidade. Todos os detidos foram liberados no início da noite, após prestarem depoimentos. Vários jornalistas e fotógrafos foram agredidos pelos policiais (O ESP) (FSP) (GM) (JB).