Um grupo de 50 mil crianças e adolescentes entre seis e 13 anos estão ajudando seus pais no corte de cana-de-açúcar em Alagoas. Em sua maioria, são analfabetos e não possuem garantias trabalhistas. A mão-de-obra deles é clandestina, aos olhos da legislação, e uma forma de combater a fome, na opinião dos pais. No estado, há 400 mil pessoas ocupadas no corte de cana. Os números são da FETAG-AL (Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Alagoas). A clandestinidade é gerada porque os usineiros contratam os pais para trabalhar por produção (tonelada de cana cortada). Os pais levam os filhos para ajudar e a falta de registro dos menores na
42980 usina impede ações trabalhistas, afirma o curador de menores de Maceió, Sérgio Juca. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que crianças até 14 anos estão proibidas de trabalhar. A lei estabelece uma só exceção: que a criança frequente um estágio profissionalizante. "O governo fecha os olhos para esse crime, que envolve um exército de crianças miseráveis", diz o curador (FSP).