Cerca de 400 funcionários demitidos pela Brastemp ocuparam ontem a fábrica da empresa em São Bernardo do Campo (SP) por volta das 12 horas. Vários carros e a linha de montagem de fogões foram depredados. Policiais militares do 6o. Batalhão expulsaram os operários. Três trabalhadores feridos estavam no pronto-socorro e foram presos. O governador Luiz Antônio Fleury (PMDB) estava reunido com o presidente da Brastemp, Hubo Miguel Etchenique, exatamente para tentar encontrar uma solução para os problemas das demissões na empresa quando soube da ocupação. O governador determinou que os detidos fossem liberados. "Não é hora de apurar responsabilidades, mas de procurar uma solução negociada", disse. O Sindicato dos Metalúrgicos alega que a Brastemp rompeu o acordo feito com os trabalhadores e o governo de só demitir após as negociações. A situação na fábrica foi normalizada às 16 horas. A secretária nacional de Economia, Dorothéa Werneck, disse que "não tem mais nada a fazer" para evitar as 1.557 demissões na Brastemp. Ela afirmou que o governo somente participará das negociações entre a empresa e os funcionários se for chamado a colaborar. O ministro do Trabalho e Previdência Social, Antônio Rogério Magri, classificou como "uma atitude covarde" a decisão da Brastemp de demitir funcionários. Ele afirmou que a empresa "ainda não encontrou outra saída que não fosse a demissão porque não é esse seu objetivo". Para Magri, a intenção da empresa que, "com raras exceções", identifica também em toda a classe empresarial, "é de confrontar-se com o governo" (O ESP) (GM).