Líderes das Igrejas Batista, Presbiteriana, Anglicana e Luterana-- representando cerca de 100 mil adeptos na Bahia-- entregaram ontem, em Salvador, um documento ao papa João Paulo 2o., no qual descrevem a realidade social do Brasil e criticam os gastos com a visita do chefe da Igreja Católica ao país, totalizando Cr$7 bilhões. Os representantes das Igrejas protestantes pedem ainda, no documento, que o papa "convoque os líderes das grandes potências para o perdão de uma dívida externa vergonhosa, que escraviza milhões de homens, mulheres, crianças e velhos". O documento lembra que o povo brasileiro "sofre todos os estigmas da marginalização social: salário indigno, falta de moradia, analfabetismo e doenças". Os líderes protestantes baianos destacam ainda que desde a primeira visita do papa, em julho de 1980, o Brasil, de um modo geral, e a Bahia, em particular, pioraram muito. Oito membros do Grupo Gay da Bahia, tendo à frente o presidente da entidade, o antropólogo Luís Mott, realizaram uma manifestação de protesto contra a visita do papa a Salvador. Eles queimaram cartazes do papa, que considera a homossexualidade Intrinsecamente má" (O Globo).