PERDA SALARIAL SE AGRAVA NO GOVERNO COLLOR

As condições de trabalho no país vêm se deteriorando desde 1986, com sério agravamento nestes 19 meses de governo Collor. Devido à persistente crise econômica, o desemprego vem aumentando e o valor dos salários caindo em relação à inflação. De fevereiro de 1987 até maio último, o salário médio real pago nas indústrias caiu 24% no Rio de Janeiro e 22,5% em São Paulo. No período de abril de 1990 até hoje é que estão concentradas as maiores perdas: 18% no Rio e 9% em São Paulo. Mas as perdas não se referem apenas ao valor dos salários: em fins de 86, para cada pessoa que atuava por conta própria, havia três trabalhadores com carteira assinada; em maio de 90, esta proporção era de um para 2,8; e em maio deste ano caía para um por 2,3. Em agosto de 86, 57,33% da População Economicamente Ativa (PEA) tinham registro em carteira. Em agosto de 90 esta taxa caíra 1,5 ponto percentual (55,8%), mas em apenas um ano desceu mais 2,7 pontos-- 53,19%, o que é o mesmo que 9,6 milhões de pessoas trabalhando com carteira, em um universo de 18,1 milhões da PEA. Inflação alta aliada à recessão, segundo os economistas, são as razões fundamentais deste desempenho negativo do ano passado para cá. Como a renda nacional não cresce enquanto a população aumenta, o brasileiro, em média, fica mais pobre. Segundo o Relatório Anual do Banco Central, a renda "per capita" era de US$2.102 em 1986; chegou a US$2.132,93 em 1987; caiu para US$1.973,44 no ano passado, e, para este ano, considerando-se a previsão de estagnação do PIB (Produto Interno Bruto), descerá a US$1.933,97, diante de um crescimento populacional de 2% ao ano (O Globo).