BRASIL TEM AS MAIORES DISPARIDADES SALARIAIS

O Brasil tem uma das piores distribuições de renda entre os 21 países pesquisados pela empresa norte-americana de consultoria Towers Perrin. Enquanto o presidente de uma empresa no país é o nono mais bem pago, com rendimentos de US$376,7 mil por ano, o operário especializado ganha 66 vezes menos (US$5,6 mil/ano), na frente apenas do trabalhador venezuelano (US$4,5 mil/ano). O mesmo acontece com a maioria dos países do Terceiro Mundo. Na Venezuela, os operários ganham 67 vezes menos que os presidentes, que têm salários médios de US$311 mil por ano. O operário mexicano recebe 52 vezes menos (US$6,4 mil/ano) que os presidentes de empresas (US$338,3 mil/ano). Na Argentina, os operários (US$8,3 mil/ano) ganham 43 vezes menos que os presidentes (US$350,7 mil/ano). Os EUA são quem mais bem remuneram seus alto-executivos (US$747,5 mil/ano). Mas, o operário ganha 24 vezes menos que seu patrão (US$30,2 mil/ano). Na Suíça o operário ganha apenas 11 vezes menos (US$38,7 mil/ano) que o presidente da empresa e na Alemanha 10 vezes menos (US$34,7 mil/ano). Ambos são os países que melhor pagam os operários. Outro indicador da má distribuição da renda no país é que quando é considerado somente o salário líquido do executivo, o Brasil pula de novo para o terceiro lugar no "ranking" (US$178 mil). Fica atrás apenas dos EUA (259,6 mil), e do México (US$192,8 mil). Para o sócio gerente-geral da Towers, Aloisio de Freitas Alves Ferreira, a baixa qualificação do operário é responsável pela distorção. Segundo ele, a tendência é a manutenção da distância entre os salários do operário e do executivo. O Brasil não vive um processo de evolução tecnológica e os equipamentos não são de primeira geração. "Em vista disso, os investimentos no operário são muito pequenos e nos executivos muito grandes", afirmou (FSP).