PAPA CONDENA CONSUMISMO NO MATO GROSSO

A exemplo do que já havia feito em discursos anteriores, o papa João Paulo 2o. voltou a condenar ontem o consumismo. "O homem, tomado mais pelo desejo de ter e do prazer, do que pelo de ser e de crescer, consome de maneira excessiva e desordenada", disse, ao abordar a questão ecológica na missa que celebrou em Cuiabá (MT). No caso da ecologia, o papa fez uma defesa genérica da preservação do meio ambiente e elogiou a realização da Rio-92. Por prudência, não atacou o cerne da questão ecológica brasileira que está, sobretudo, ligada ao modelo de desenvolvimento do país. João Paulo 2o. exortou o governo brasileiro a defender uma ecologia humana na Rio-92. Disse que a proteção ambiental no Brasil deve estar pautada prioritariamente na defesa da vida. O papa também abordou a questão da migração, "um desafio à caridade e à Justiça no mundo". Disse que uma das principais dificuldades das pessoas de outros estados que procuram o Mato Grosso para morar são os "grandes latifúndios". Segundo ele, os "grandes latifúndios, por vezes improdutivos, não lhes permitem o acesso à terra para trabalhar". Para o papa, outro problema que o migrante da região enfrenta é o de não possuir "condições técnicas ou financeiras para começar uma nova vida". Os representantes das 37 nações indígenas presentes ao encontro com João Paulo 2o. em Cuiabá criticaram a civilização branca, atacaram o governo brasileiro e defenderam os aspectos característicos da própria religiosidade. Eles pediram ao papa que denunciasse o que sofrem ao mundo e intercedesse junto ao governo brasileiro para mudar essa situação. O cacique Manuel Kaxinaua leu o documento entregue ao papa. Ele disse que às vésperas do 5o. centenário da invasão da Ameríndia continua o processo de extermínio dos índios. Acusou o governo e os grandes grupos econômicos, nacionais e multinacionais, de colocarem em prática com seus projetos o "genocídio dos índios". Também pediu a demarcação das terras indígenas. O mestre de cerimônias do ato foi o índio Orlando Baré, que lembrou que desde a visita passada do papa, em 1980, foram assassinadas 140 lideranças indígenas, inclusive o cacique Marçal Tupai, o mesmo que saudou João Paulo 2o. da outra vez, em Manaus (AM) (FSP) (GM).