OS ASSASSINATOS NO CAMPO

De acordo com documento elaborado pelo Ministério de Reforma e Desenvolvimento Agrário e INCRA, de 1o. de janeiro a 31 de outubro deste ano foram assassinadas 211 pessoas em consequência de conflitos de terra. O documento registra 198 ocorrências em terras públicas e privadas e 13 envolvendo terras indígenas. Em uma lista à parte, acham-se relacionados ainda três casos de suicídio e 59 mortes de "bóias-frias" em acidentes de trabalho, aumentando o número de mortos no meio rural, no decorrer dos últimos 10 meses, para 273. "Do total de assassinatos, o número de trabalhadores rurais alcança 71,1%, enquanto o de fazendeiros corresponde a 2,4% e o de capatazes e vigilantes 9%. O número de pistoleiros mortos equivale a 8,1%. A maior incidência de conflitos violentos registra-se nas microrregiões do Xingu (32 mortes), Marabá (19 mortes), Araguaia paraense (12 mortes) e Guajarina (9 mortes), todas localizadas no Estado do Pará, em áreas de ocupação recente". Segundo as informações, o documento registra que grande número de mortes ocorreu também nas microrregiões da mata pernambucana, com 12 assassinatos, e na cacaueira, da Bahia, com 10. Os dados discrimina também o número de mortos pelas atividades que exerciam. Assim, foram assassinados 119 lavradores, dois presidentes de sindicatos de trabalhadores rurais, nove líderes sindicais, três garimpeiros, 11 índios, cinco fazendeiros, 16 peões de fazenda, 3 capatazes, 17 pistoleiros, 3 advogados, 2 agentes de pastoral, um padre, dois policiais e um comerciante, além de 8 menores e 9 pessoas sem indicação específica. Nesta lista estão incluídas 13 mulheres: duas freiras, nove lavradores, uma advogada e uma sem indicação de atividade. Do total de mortos, 26 não foram identificados, embora com óbitos confirmados. O documento constata, ainda, que em 1984, conforme relatórios do movimento sindical dos trabalhadores rurais (CONTAG, FETAGs e sindicatos), dos sem-terra, entidades confessionais (CNBB, CIMI, CPT) e associações voluntárias como a CNRA (Campanha Nacional pela Reforma Agrária) e a ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA) foram registrados cerca de 10 óbitos por mês, enquanto entre janeiro e outubro de 1985 chega-se aproxidamente a 27 óbitos mensais (JB).