Nilo Sérgio Menezes Macedo, ex-integrante do antigo grupo guerrilheiro Colina (Comando de Libertação Nacional), explicou que o atual comandante militar da Amazônia, general Octávio Aguiar Medeiros, relacionado como torturador pelo grupo Brasil: Nunca Mais, "não participou pessoalmente das sevícias, mas delas tinha conhecimento na condição de presidente do inquérito policial militar que apurava as ações dos esquerdistas em Minas Gerais". Nilo Macedo disse que conversou apenas uma vez com o então coronel Medeiros, que era o comandante do CPOR, depois de ser submetido a diversas sessões de tortura na Delegacia de Furtos e Roubos. Afirmou ter relatado a violência sofrida ao coronel, pedindo-lhe para que não deixasse que o levassem de novo para aquela delegacia. O coronel Medeiros lhe respondeu que ele não havia contado, durante o interrogatório, tudo que sabia e o ameaçou com retorno à delegacia, caso não colaborasse. Explicou ao preso: "os métodos da polícia são mais eficientes". O coronel Ary Pereira de Carvalho, envolvido no assassinato do jornalista Alexandre Baumgarten, é apontado por Nilo Macedo como "uma da pessoas que chefiavam os interrogatórios a presos políticos na Vila Militar da 1a. Companhia de Polícia do Exército", no Rio de Janeiro. Nilo Macedo acusou outro oficial que seria na 1a. Companhia, o capitão Airton Guimarães Jorge-- o capitão Guimarães, de Niterói, "banqueiro" do jogo do bicho, também acusado de envolvimento no assassinato de Baumgarten-- de comandar uma "aula de tortura para mais de uma dezena de militares fardados" (JB).