JUSTIÇA DE RECIFE VOLTA APURAR MORTE DE PADRE

A Justiça em Recife (PE), após 16 anos, volta a apurar a morte do padre Henrique Pereira Neto, assassinado por motivos políticos, em 27 de maio de 1969. Reaberto pela última vez em 1979, o processo estava parado há quatro anos. Agora, por determinação do procurador geral da Justiça de Pernambuco, Olímpio Costa Júnior, retorna às mãos do juiz Nildo Nery dos Santos. As investigações foram retomadas porque o agente de polícia Paulo Barbosa da Silva revelou, em um outro processo, os nomes dos supostos executores do crime e do mandante, o comandante do IV Exército na época, general Lira Tavares. Os assassinos teriam sido um agente da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco conhecido por "X-9", o cabo Rival Rocha, Benedito "pistoleiro" e Humberto Amaro. O padre Henrique Pereira Neto era assistente da juventude da arquidiocese de Olinda e Recife, e seu corpo foi encontrado pendurado numa árvore na cidade universitária, com sinais de espancamento, três balas, uma das quais na região frontal, que o matou, e perfurações de peixeira no tórax e na garganta. A arquidiocese, então dirigida por dom Hélder Câmara, atribuiu o crime ao terrorismo político de que vinha sendo vítima e que já tinha atingido a residência do arcebispo, alvejada e pichada, e um estudante, que teve a medula seccionada (JB).