GENERAL DIZ QUE CSN NUNCA QUIS INTERFERIR COM O PNRA

O ministro-chefe do Gabinete Militar e secretário do Conselho de Segurança Nacional, general Bayma Denys, garantiu aos deputados que integram a Comissão de Reforma Agrária da Câmara que o CSN jamais quis interferir na discussão do Plano Nacional de Reforma Agrária, pois esta é uma atribuição do Ministério da Reforma e Desenvolvimento Agrário. Ele confirmou, no entanto, que o documento "Política de Desenvolvimento Rural Integrado" foi mesmo elaborado pelo CSN, mas a pedido do próprio ministro Nelson Ribeiro, e não numa tentativa de modificar o projeto que estava sendo discutido pelo Ministério. O ministro defendeu a necessidade de uma ampla articulação dos órgãos envolvidos na execução da reforma agrária, como forma de viabilizá-la, ressaltando que o programa exige o suporte de uma política agrícola e creditícia. O ministro explicou que também foi mal interpretada a finalidade do grupo de trabalho interministerial, criado no dia 19 de agosto, para discutir a questão do êxodo rural no país, "situação que tem preocupado o presidente José Sarney". E de acordo com o jornal Folha de São Paulo, o general Bayma disse que o governo federal realiza um levantamento de 500 municípios de vocação agrícola em todo o país para atrair as correntes migratórias e assentar as famílias de agricultores sem terra que não puderem ser fixados em seus Estados de origem. Este levantamento está sendo feito por um grupo de trabalho criado em agosto e que reúne 15 ministérios sob a coordenação da Secretaria Especial de Ação Comunitária (Seac), sob a direção do deputado Aníbal Teixeira (PMDB-MG). Bayma Denys afirmou que a proposta de recuperar estes municípios para o assentamento de colonos vem encontrando resistências dentro do próprio governo, por parte dos integrantes do grupo de trabalho. Conforme a Folha, o general Bayma manifestou-se ainda favorável à extinção do grupo Executivo de Terras do Alto Tocantins (GETAT) e do Grupo Executivo do Baixo Amazonas (GEBAM), organismos que deliberavam sobre a questão fundiária nestas regiões nos governos passados, em uma ação paralela ao INCRA. Quanto à permanência de ex-funcionários do Getat na atual composição do Conselho de Segurança Nacional, disse o general: "estes funcionários são competentes, e trabalham sob as diretrizes do novo governo. Eles não deliberam. Estudam, analisam e fornecem sugestões" (O Globo) (FSP).